30 maio, 2010

Depois do silêncio

Parti.
No meio de todo este silêncio.
Encontrei uma nova janela que dá para um novo mundo.
É olhar para esse novo mundo que fumo os primeiros cigarros do dia e os últimos da noite.
Já não vejo coelhos ao amanhecer.
Acordam-me os corvos de voz rouca e profunda.
Já não oiço o mar dentro de casa.
Cheiro o verde e o orvalho de forma confusa.

Tantas mudanças.
Até pensei deixar de fumar.
Até pensei deixar morrer as letras antes de serem palavras.
Até pensei que tinha trazido comigo pouca coisa na bagagem.

Trouxe dias de sol, para afastar o cinzento dos pensamentos.
Trouxe memórias de carinhos, para afagar o peito quando está apertado.
Trouxe carinhos antigos, para afastar o frio das paredes que não me conheciam.

Nas mudanças. Nos caminhos novos. Nas pessoas diferentes. Nos passos inseguros.
Encontrei o caminho de volta do silêncio. Ou foi só o fumo a pedir-me palavras.

Encontro sentimentos ainda não experimentados.
Tenho vontade de arriscar. Mais uma vez.

Quebro hoje o silêncio. O jejum de palavras. A falta de fumo.