13 outubro, 2009

Transformação Outonal

Hoje começou o meu Outono.

Senti aquele frio que me lembra mantinhas de lã, a chávena de chá e as preguiçosas tardes com carinhos.

A caminho de casa senti as folhas secas, que já se amontoam no chão, a estalarem debaixo dos pés.

O cheiro das castanhas a assar no carrinho-barco. O mesmo senhor velho de mãos enegrecidas pelo fumo e pelas quentes e boas.

Volta a luz coada e doce ao entardecer.

As cores quentes, a chegada do frio e da chuva alegram-me os sentidos.

Como uma árvore deixo cair as minhas folhas e fico a contemplar a natureza das coisas. Largo sementes a germinar em novos caminhos.

Abro os braços como ramos e tremo de frio.

Enterro os pés na terra e absorvo a energia do sol.

Sonho-me árvore, de tronco largo, que quase toca as nuvens como se pudesse ser um desses seres fantásticos.

Começa a anoitecer. A luz a baixar no horizonte e a humidade, fazem-me viajar...

Os pés desenterram-se.

Os braços encurtam.

Oiço um cântico que vem de longe. Todas as sementes deitadas à terra chamam por mim.

Toda a energia absorvida transforma-se num novo desejo.

Partir.

Uma dor cresce. Uma dor crava-se nas minhas costas.

Dispo-me de roupa. Tento ver que se passa na minha parte de trás.

Uma pena!?!

Estou a transformar-me?

Pássaro ou anjo?

Só voar?

Proteger tudo ao meu redor?

Combater?

Partir, quero partir.

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