Duas mãos.
Aquelas que se misturam em mim.
Que em noites de frio modelaram a calor e sentimento o meu corpo.
Mãos de mais dedos do que as comuns.
Mãos que criaram universos dentro do mundo, que dão novos sentidos ao que conhecemos.
Mãos com trabalhos, definidas e crescidas a agarrar, a esculpir, a desenhar, a ligar, a criar encontros.
Maltratadas e ressequidas em dias de alheamento.
Mão delicadas em dias chuvosos debaixo dum cobertor de ternura.
Mãos que são carinho sempre que as encontro... quando não as sinto, saudades.
Mãos que apesar de conhecidas são sempre novas.
Mãos de veludo.
Mãos que lembram árvore secular.
Mãos que prendem e me dão liberdade.
Mãos que nunca dormem.
Mãos que me arrepiam.
Mãos que sabem a primeira vez.
Mãos que nunca me vão abandonar.
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